Fracassos e recomeços, a via do Amor

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São santos os que lutam até o fim da vida: os que sempre sabem levantar-se depois de cada tropeço, de cada queda, para prosseguir valentemente o caminho com humildade, com amor, com esperança.” (São Josémaria Escrivá)

Os fracassos assombram nossa mente. Para nós, homens, deparar-nos com a fragilidade e a impotência é algo que exerce bastante influência sobre nossa autoestima, é quase como uma sentença de que falhamos em nossa masculinidade.

Desse modo, assim que caímos e reconhecemos nosso erro, queremos fazer um propósito de não mais cometê-lo. Isso seria ótimo, não fosse nossa tendência de acreditarmos que, com nossas próprias forças – com nossa decisão racional, vontade física, mental e psicológica –, seríamos capazes de superar nossas imperfeições, achando uma solução por conta própria. Não raro isso resulta numa nova queda, por vezes ainda mais grave, e numa frustração que pode levar à perda da esperança.

Grande engodo é acreditarmos na autossugestão de que nos bastamos a nós mesmos; maneira velha mas atual de a serpente enganar a nós como enganou a Adão. E, diante do recomeço, acabamos por trilhar nossa jornada novamente sem Deus, confiando unicamente em nossos planos mirabolantes e estratégias lógicas para não mais cairmos, o que não passa de delírio fantasioso.

Quantos de nós estamos exatamente assim, sentindo-nos desesperançosos diante de nossas constantes quedas?

“Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Precisamos admitir, de uma vez por todas, o seguinte: não há um passo sequer que possamos dar, rumo à santidade e à perfeição, que não nos apoiando em Cristo, tendo-O como fundamento. Todo o esforço, fora da graça, é em vão.

A santidade é uma obra de perfeição construída por Deus em nós e que só terá sua conclusão no Céu.

Por conta de nossa limitação, queremos ser perfeitos agora, não errar mais hoje, não escorregar nas mesmas imperfeições. Temos vergonha de nós mesmos quando confessamos os mesmos pecados e achamos que Deus se surpreende com nossas quedas. Isso pode parecer, a princípio, uma virtude, mas, ao analisarmos mais profundamente, o que há é orgulho. A vergonha de Deus, do confessor ou do diretor espiritual pode ser um bom instrumento para a conversão, mas somente quando se transforma em verdadeira contrição.

“Ao entardecer desta vida examinar-te-ão no amor” (São João da Cruz).

Não há surpresa sobre nós para Deus. Ele nos conhece profundamente.

Há um grande mistério sob o véu da santidade: é uma graça de Deus que conta com nossa colaboração ativa e viril, mas que exige de nós, ao mesmo tempo, abandono, fé e esperança. É um caminho de morte de si, do próprio egoísmo e da autossuficiência, para a ressurreição do homem novo, à imagem de Cristo, superando a herança de Adão.

É configurar a própria vida à cruz de Cristo. Escondido sob o aspecto fracassado da cruz há, pela ação da graça, o homem novo e ressuscitado.

Portanto, experimentar o fel do fracasso pode ser, muitas vezes, o antídoto ao veneno da serpente, ou seja, perceber que, por mais que tentemos, a nossa humanidade é limitada e sempre esbarraremos num abismo que só pode ser ultrapassado pela fé e pela graça.

Justamente aí se encontra o ponto central: a perfeição cristã não está em deixar de errar, mas em progredir na caridade. Esse processo de oferta de si e de vivenciar a confiança em Deus na luta contra o pecado dilata mais e mais o nosso ser e o configura a Cristo, aquele que amou na plenitude.

Desse modo, nós, homens, não devemos temer nossas quedas. Antes, precisamos ter a decisão e o firme propósito de nos levantarmos sempre e quantas vezes forem necessárias. Conscientes de nossos limites, jamais passivos diante deles numa espécie de aceitação tola e infantil dos erros , mas com coragem confiante de lutar pela perfeição com a arma adequada: a caridade. Amar como Cristo amou é a única via para deixarmos um dia, pela graça, os fracassos e quedas provocadas por nossos pecadosE essa luta por permanecer de pé só é possível e viável se alimentarmos em nós um amor ardente por Cristo.

Portanto, devemos suplicar ao Espírito Santo que nos inspire sempre a encontrarmos vias alternativas de amor para toda limitação que enfrentarmos e para cada espinho que possuímos. Assim, na esperança, nossa cruz de cada dia poderá se transformar em ressurreição.

Não desista! Lute com humildade e valentia! Ruma à reta final: a caridade cristã.

Bravus,

pela hombridade.

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