Vocação Sacerdotal – Parte II: Governar: O sacerdote é o Homem do Pastoreio

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Para a primeira parte deste artigo, onde tratamos das missões do sacerdote de ensinar e santificar, clique aqui.

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Governar: O sacerdote é o Homem do Pastoreio

Agora vejamos a missão do sacerdote de governar, de guiar, com a autoridade de Cristo, não com a própria, a porção do Povo que Deus lhe confiou. Trata-se do munus regendi. A Igreja exerce uma autoridade que é serviço, e exerce-a não em seu nome, mas no de Jesus Cristo, que do Pai recebeu todo o poder no Céu e na terra (cf. Mt 28, 18). Através dos Pastores da Igreja, Cristo apascenta a seu rebanho: é Ele quem a guia, protege e corrige, porque o ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, e os sacerdotes, seus mais preciosos colaboradores, participassem nesta Sua missão de se ocupar do Povo de Deus, de ser educadores na fé, orientando, animando e apoiando a comunidade cristã ou, como diz o Concílio Vaticano II, cuidassem “para que cada fiel seja levado, no Espírito Santo, a cultivar a própria vocação segundo o Evangelho, a uma caridade sincera e ativa e à liberdade com que Cristo nos libertou”1. Portanto, cada Pastor é o meio através do qual o próprio Cristo ama os homens: é mediante o ministério sacerdotal que o Senhor alcança as almas, as instrui, guarda e guia. Junto do povo que lhe é confiado de acordo com a sua missão canônica – pároco, vigário, professor, formador, capelão etc. – o sacerdote é chamado a viver uma “paternidade espiritual”, gerando novos filhos em Deus e os educando na fé, fazendo-os crescer na maturidade cristã. Não é à toa que chamamos o presbítero de “Padre – Pai”.

padre sacerdote caminhando com jesus pastor ovelhaPara ser Pastor segundo o coração de Deus (cf. Jr 3, 15) o sacerdote precisa de uma disponibilidade incondicionada a conduzir o rebanho confiado aonde o Senhor quer e não na direção que, aparentemente, parece mais conveniente ou mais fácil. Antes de tudo, isto exige a contínua e progressiva disponibilidade para deixar que o próprio Cristo governe a existência sacerdotal dos presbíteros. De fato, ninguém é realmente capaz de apascentar a grei de Cristo, se não viver uma obediência profunda e real a Cristo e à Igreja, e a própria docilidade do Povo aos seus sacerdotes depende da docilidade dos presbíteros a Cristo; por isso, na base do ministério pastoral está sempre o encontro pessoal e constante com o Senhor, o conhecimento profundo d’Ele, o conformar a própria vontade com a vontade de Cristo.

Geralmente, diz-se que o significado da palavra hierarquia seria “domínio sagrado”, mas o verdadeiro significado não é este, é “origem sagrada”, ou seja: esta autoridade não provém do próprio homem, mas tem origem no sagrado, no Sacramento; submete portanto a pessoa à vocação, ao mistério de Cristo; faz do indivíduo um servo de Cristo e só como servo de Cristo ele pode governar, guiar para Cristo e com Cristo. Por isso quem entra na Ordem sagrada do Sacramento, a “hierarquia”, não é um autocrata, mas entra num vínculo novo de obediência a Cristo: está ligado a Ele em comunhão com os outros membros da Ordem sagrada, do Sacerdócio. E também o Papa, ponto de referência de todos os outros Pastores e da comunhão da Igreja, não pode fazer o que quiser; ao contrário, o Papa é guardião da obediência a Cristo, à sua palavra resumida na “regula fidei“, no Credo da Igreja, e deve preceder na obediência a Cristo e à sua Igreja. Hierarquia implica por conseguinte um tríplice vínculo: antes de tudo com Cristo e com a ordem dada pelo Senhor à sua Igreja; depois o vínculo com os outros Pastores na única comunhão da Igreja; e, por fim, o vínculo com os fiéis confiados a cada um, na ordem da Igreja. Compreende-se portanto que comunhão e hierarquia não são contrárias uma a outra, mas condicionam-se. São juntas uma só coisa (comunhão hierárquica). Fora de uma visão clara e explicitamente sobrenatural, não é compreensível a tarefa de governar, própria dos sacerdotes.

O modo de governar de Jesus não é o do domínio, mas é o serviço humilde e amoroso do Lava-pés, e a realeza de Cristo sobre o universo não é um triunfo terreno, mas encontra o seu ápice no madeiro da Cruz, que se torna juízo para o mundo e ponto de referência para a prática da autoridade, que seja verdadeira expressão da caridade pastoral. Os santos, e entre eles São João Maria Vianney, exerceram com amor e dedicação a tarefa de cuidar da porção do Povo de Deus que lhes foi confiada, mostrando também que eram homens fortes e determinados, com o único objetivo de promover o verdadeiro bem das almas, capazes de pagar em primeira pessoa, até ao martírio, para permanecer fiéis à verdade e à justiça do Evangelho. Como disse Madre Teresa de Calcutá: “Deus não me chamou para ser um sucesso, mas para ser fiel”. O sacerdote no exercício do ensino, da santificação e do governo do povo de Deus não é chamado a uma glória humana, mas a um serviço incondicional ao povo no amor de Cristo para a Glória de Deus. Não é chamado para ser um sucesso humanamente falando, mas a caminhar contra a corrente do mundo, perseverando na fidelidade a Cristo e levando o povo à mesma fidelidade ao Senhor.

Neste mês de agosto rezemos, portanto, pelos nossos sacerdotes, para que sejam fiéis ao seu ministério sagrado. Manifestemos nosso apoio e colaboração com os presbíteros com atitudes práticas e concretas. Rezemos pelas vocações sacerdotais. Muitos querem padres e bons padres, mas nem todos rezam para que se tenham padres em quantidade e qualidade. Um padre é a resposta de Deus a uma comunidade orante. É preciso rogar ao Senhor da messe que envie operários à sua colheita. E, por fim, que todo jovem homem católico ao menos se deixe interrogar, se Deus não está lhe chamando ao sacerdócio. E aos que sentem o chamado de Deus, que lhe sejam disponíveis e generosos na resposta!

  1. Presbyterorum ordinis, 6

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1 Resultado

  1. 8 de agosto de 2016

    […] A segunda, e última, parte deste artigo foi publicada aqui. […]

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