“Meu pai é um bundão!”

Felipe e Andréia são casados há 5 anos e têm dois filhos, João, de 3 anos, e Lúcia, que recém fez 1 ano. O trabalho de Andréia está ultimamente mais estressante que o normal. Ela tem chegado muito cansada do trabalho e ainda se desdobra em duas para preparar o jantar das crianças, dar banho nos filhos e embalar a Lúcia para dormir. Felipe, por sua vez, colabora muito pouco. Quando muito, coloca a chupeta na boca de Lúcia. Tão logo chega em casa, se joga no sofá para ver TV, enquanto reclama do trabalho e da vida. Embora Lúcia durma bem a maioria das noites, vez ou outra acorda chorando. Nesses casos, é sempre Andréia quem resolve. “Trabalhei o dia todo, estou cansado”, diz Felipe, enquanto vira para o lado e se esconde embaixo das cobertas ou do travesseiro, como se Andréia não trabalhasse até mais do que ele, tendo-se em conta a dupla jornada em casa.

Bravo leitor, embora esta seja uma situação hipotética, tenho certeza de que você já ouviu histórias semelhantes. Pais que delegam para a esposa toda e qualquer função doméstica, que não se importam em nada com a criação dos filhos, com sua educação humana, moral e espiritual. Pais que reclamam de tudo, que enxergam nas vicissitudes da vida obstáculos intransponíveis e vivem de lamúrias. Pais que não exercem seu papel de protetor do lar, que abdicaram da paternidade, como se seu papel terminasse com a procriação. Enfim, pais que não são pais, pais que não são homens, pais bundões.

“Ah, Daniel… nunca serei um pai assim”. Tem certeza? E aquela preguiça tremenda ao acordar, pulando de “soneca” em “soneca”? Aquela louça acumulando na pia? A grama por cortar? A bagunça no escritório? Afinal, para que arrumar a cama se ela será desarrumada logo mais, à noite, não?

pai preguiçoso bundão acomodado

É claro que isso não te transformará automaticamente num mau pai. Mas se você respondeu positivamente a uma ou mais das perguntas acima, cuidado: há pontos sérios contra os quais precisa lutar.

A paternidade opera uma mudança de paradigma na vida de um homem. Ser pai exige comprometimento, tempo e dedicação em tempo integral. Seu tempo não é mais somente teu, e certas coisas demandarão atitude imediata, quando menos se espera, ou quando mais se está cansado.

Talvez por isso menos jovens decidam ser pais, ou atrasem ao máximo este chamado. Vivemos num mundo de bundões, e o jovem bundão de hoje será o pai bundão de amanhã. São tantos os adultos pouco comprometidos, de barba na cara mas que prolongam ao máximo a infância, fugindo a todo custo das responsabilidades de uma família.

Eu entendo que nossa geração tenha sua vontade enfraquecida, se comparada às gerações anteriores. Também entendo que o feminismo tenha acarretado na perda da identidade masculina. Embora isso explique porque é mais difícil encontrar hoje adultos com a mesma fibra que nossos pais e avós, não é razão para não nos esforçarmos na luta contra essa tendência ao comodismo e à preguiça arraigadas dentro de nós.

Pensemos nos filhos que já temos ou ainda teremos. Que homens queremos que eles sejam? Que imagem queremos que eles tenham de nós? São duas perguntas completamente interligadas. É pelo nosso exemplo que nossos filhos se tornarão jovens fracos, acomodados, sem garra e ideais. Ou jovens valentes, guerreiros, repletos de sonhos e de força de vontade para torná-los realidade. É pelo nosso exemplo que nossos filhos olharão para trás e dirão “- Meu pai é um bundão!” ou “- Meu pai é o homem que quero ser!”.

Lute, bravo leitor. A luta começa hoje e só depende de ti.

Bravus, pela hombridade

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