Grandes batalhas forjam grandes homens

Se caio a cada instante, na fé confiante farei com que Ele me levante” (Santa Elizabete da Trindade)

Para aqueles que lutam arduamente para se manterem longe do pecado, cada situação de queda traz à tona a impotência e frustração. É um misto de falta de esperança em nós mesmos e questionamento acerca da ação de Deus.

No que diz respeito a nós, nos enganamos em achar que, com nossas próprias forças, temos capacidade de permanecer puros. E a frustração está precisamente em nos depararmos com nossa limitação. A respeito de Deus, passamos a questionar se Ele, de fato, está realmente intervindo, com Sua graça, para que não mais pequemos ou se está nos deixando à nossa própria sorte.

Esses dois aspectos têm sua fonte na soberba, enraizada em nós como consequência do pecado original. No nosso íntimo, travamos uma batalha entre sermos totalmente dependentes de Deus e bastarmos a nós mesmos. Esse é o ponto central de nossa conversão, principalmente a nós, homens, que tendemos à independência e à autossuficiência.

Todavia, há situações que se nos apresentam que tiram completamente o controle das nossas mãos e nos violentam profundamente, colocando em xeque a nossa percepção de si e de nossa capacidade de intervir e solucionar.

São grandes batalhas. Podem se apresentar como pecados com os quais lutamos ao longo de anos — e frequentemente caímos, apesar do esforço —; enfermidades que implodem o frágil edifício da nossa inconsciência de que somos transitórios; situações adversas que nos “tiram o chão”. Nesses casos, porque Deus permite que isso ocorra?

E tudo o que Ele quer, por muito mau que nos pareça, é, em verdade, muito bom” (São Thomas More).

Justamente, temos de contemplar as batalhas como providência de Deus para a nossa conversão e salvação.

Os metais preciosos são forjados no fogo, a altas temperaturas, e são completamente desfigurados e, depois, inseridos num molde e reconstruídos para uma finalidade específica. Esse calor intenso, não altera somente a forma, mas, sobretudo, as propriedades do metal, aumentando sua rigidez e durabilidade.

Tais batalhas podem, na graça, se tornar essa grande forja em que almas santas são remodeladas com uma única finalidade: romper-se em caridade ardente e completa, fundindo-se, para todo o sempre, com Deus. Isso desde que tenhamos nosso coração ancorado no céu; a pátria celeste deve ser sempre o horizonte.

Os tempos de luta permitem que nossa alma se fortaleça, aumentando a nossa esperança em Deus e descobrindo a nossa limitação. O esforço para ser melhor, tendo-se reconhecido os limites humanos e, por outro lado, abandonando-se à graça, é a grande fornalha que forma os guerreiros mais nobres, almas santas e virtuosas.

Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros” (I Cor 9,25-27).

A vida de oração é a porta de entrada através da qual nosso esforço encontra a graça. É um antídoto para a soberba e um alento para as quedas. É a arma essencial nessa batalha que perdura ao longo da vida. Batalha esta que nós, homens, devemos assumir com urgência.

Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo a virilidade necessária.

 

Bravus, pela hombridade.  

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1 Resultado

  1. 20 de março de 2017

    […] Quanto não pode ele ensinar a nós homens de hoje? Nós que reclamamos “de barriga cheia”, que desconhecemos a perseguição e trocamos a abnegação de si pelo amor desenfreado a si mesmos. […]

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