Homem, você precisa de São José!

São José Guardião da Sagrada Família

De tempos em tempos a Igreja recorre à intercessão poderosa de São José.
Agora é a nossa vez, fiéis leigos homens, de recorrermos a ele!

Na história da Igreja, de modo acentuado em seus últimos séculos, é constante a súplica a São José, principalmente nos momentos de maior calamidade:

  • Pio IX, Quemadmodum Deus (1870): “nestes tempos tristíssimos em que a Igreja, atacada de todos os lados pelos inimigos, é de tal maneira oprimida pelos mais graves males, a tal ponto que homens ímpios pensam ter finalmente as portas do Inferno prevalecido sobre ela”.
  • Pio IX, Inclytum Patriarcham (1871): “Na verdade, nestes últimos tempos, nos quais uma feroz e terrível guerra foi declarada contra a Igreja de Cristo, a devoção dos fiéis para com São José cresceu e aumentou tanto”.
  • Leão XIII, Quamquam Pluries (1889): “ a necessidade de se recorrer ao Patrocínio de São José, junto ao da Virgem Mãe de Deus, nas dificuldades dos tempos atuais” [..]. “Em tempos difíceis, especialmente quando o poder das trevas parece tentar de tudo em dano da cristandade”.
  • Bento XV, Bonum Sane (1920): “se considerarmos as hodiernas calamidades que afligem o gênero humano, parece ainda mais evidente a oportunidade de intensificar tal culto [a São José] e de difundi-lo com maior força em meio ao povo cristão”.
  • São João Paulo II, Redemptoris Custos, n. 29 (1989): “Este patrocínio [de São José] deve ser invocado e continua sempre a ser necessário à Igreja, não apenas para a defender dos perigos, que continuamente se levantam, mas também e sobretudo para a confortar no seu renovado empenho de evangelização do mundo”.

É chegado o momento de recorrermos mais uma vez ao santíssimo Patriarca. E duplamente! Se é certo que a Santa Igreja continua sob ataque de seus inimigos — externos, mas também internos! —, é também certo que os ataques do inimigo agora se voltam com tamanha intensidade à família, aquela célula-mãe da sociedade. Portanto, precisamos da intercessão de São José tanto como Patrono da Igreja Universal como quanto guardião da Sagrada Família, para que nos ajude, a cada um de nós, a guardarmos as nossas famílias.

Nós, homens, pais de família ou aspirantes a tanto, precisamos tomar cuidados redobrados. É visível hoje que as investidas à família concentram-se naquele cujo papel no corpo familiar é o de cabeça, o homem.

Somos uma geração de homens com sua vontade enfraquecida, hedonistas, desimbuídos de espírito de sacrifício e extremamente sexualizados. Temos muito mais conforto do que as gerações anteriores jamais sonharam, porém vivemos de reclamação e “mimimi”. Desprezamos as tradições de nossos antepassados, e assim jogamos no lixo aquelas características adquiridas que moldavam os homens de antigamente, principalmente o sacrifício de si mesmo pelos seus.

Além do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, temos em São José alguém que pode nos recordar o que é ser homem, e também pai de família. As Sagradas Escrituras fazem uma única descrição do Glorioso Patriarca: “Era um homem justo”. Das inúmeras qualidades e virtudes recolhidas debaixo deste elogio, destaco duas que penso serem as mais apropriadas para os homens de hoje: seu silêncio e sua fé.

O Silêncio de São José

Numa época em que tudo precisa ser mostrado, a vida oculta de São José com a Virgem Maria, cuidando do Menino Jesus, nos recorda o modo pelo qual Deus escolheu viver quotidianamente e que a Sagrada Família nos propõe como modelo.

“A obscuridade foi o destino de sua vida, uma obscuridade fecunda em tesouros de humildade, de abnegação, de sacrifício. Quer dizer, em tesouros de generosidade, de amor e de santidade” (Fr. Justo Pérez de Urbel O. S. B.. Año Cristiano, tomo I, p. 523. 1945)

São José e o Menino Jesus silêncioMuito distante da difundida prática da exposição de tudo o que se faz nas redes sociais — que agora nos incentivam ao voyeurismo, com suas postagens voláteis de duração limitada —, o silêncio de José nos comunica tanto e com tanta eloquência.

Ao invés de um vazio interior, o silêncio de José nos revela sua força de caráter e firmeza. São José não fala, não reclama, mas age e faz. Contempla silenciosamente os passos da Providência Divina e seu agir. Nas Sagradas Escrituras, não há nada que tenha feito por vontade própria. Quando instruído por Deus, ignora sua vontade interior e dobra-se aos desejos do Altíssimo. Em tudo, em tudo conforme ao querer divino. Por mais que custe, por mais que exija sacrifício.

“Os Evangelhos falam exclusivamente daquilo que José «fez»; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas «ações», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava quotidianamente em contato com o mistério «escondido desde todos os séculos», que «estabeleceu a sua morada» sob o teto da sua casa” (São João Paulo II. Redemptoris Custos, n. 25. 1989)

Quanto não pode ele ensinar a nós homens de hoje? Nós que reclamamos “de barriga cheia”, que desconhecemos a perseguição e trocamos a abnegação de si pelo amor desenfreado a si mesmos.

“O sacrifício total, que José fez da sua existência inteira, às exigências da vinda do Messias à sua própria casa, encontra a motivação adequada na «sua insondável vida interior, da qual lhe provêm ordens e consolações singularíssimas; dela lhe decorrem também a lógica e a força, própria das almas simples e límpidas, das grandes decisões, como foi a de colocar imediatamente à disposição dos desígnios divinos a própria liberdade, a sua legítima vocação humana e a felicidade conjugal, aceitando a condição, a responsabilidade e o peso da família e renunciando, por um incomparável amor virgíneo, ao natural amor conjugal que constitui e alimenta a mesma família».” (São João Paulo II. Redemptoris Custos, n. 26. 1989)

São José, meu doce José, ensina-me a silenciar o coração, a vontade e o pensamento.
Quero dobrar minha vontade aos desejos de Deus.
Quero ser um homem segundo os planos de Deus, como tu o foste.
Quero guardar e proteger a família cujo Deus Todo-Poderoso reservou para mim,
como tu guardaste e protegeste a Sagrada Família. Amém.

A Fé de São José

É no meio das adversidades que a fé verdadeiramente edificada no Senhor encontra terreno propício para firmar-se e crescer, glorificando a Deus. Olhando para a fé de São José em três momentos chaves de sua vida, percebemos quão viva estava esta virtude em seu coração.

  1. Visitado pelo anjo, que ordena-lhe que guarde a Maria por esposa, São José não titubeia. Não pede outros sinais, como Zacarias. “Acordando do sono, fez aquilo que o Anjo do Senhor lhe havia
    ordenado” (Mt 1, 24).
  2. Ao ver o Divino Infante, o Verbo Encarnado, Deus feito homem ainda bebê, reclinado numa simples manjedoura, sem abrigo digno, sem bens ou riquezas, ainda assim prostra-se de joelhos e o adora como seu Deus e Salvador.
  3. Sendo o recém-nascido perseguido por Herodes, foge para o Egito para salvá-lo. Não houve prodígio divino extraordinário. Ele, o Salvador, dependeu de José para ser salvo.

Quanto confiança em Deus e em seu plano. Quanta doçura em pôr em prática a vontade divina. Quanto amor pelo próprio Filho de Deus, a quem tomou nos braços como verdadeiro filho, tal qual verdadeiro Pai, ainda que adotivo.

Sem dúvida, sem reclamação. As adversidades que se punham foram sendo enfrentadas, confiante que Deus tomaria a frente e abriria as portas. Ao Santo Patriarca se aplica perfeitamente o que dizia Santo Inácio de Loyola: “Rezar como se tudo dependesse de Deus, agir como se tudo dependesse de nós”.

São José, meu doce José, ensina-me a depender mais de Deus,
crendo que Ele me conduzirá pelo caminho seguro.
Que assim como tu fizeste, possa colocar em prática o plano de Deus
para mim e minha família, com fé e esperança em Deus.
São José, ensina-me a ser forte nas contrariedades
e a não duvidar das inspirações que Deus sopra em meu coração.
Quero colocar a vida de minha família acima da minha própria vida,
ainda que seja preciso sacrificar minha vontade e liberdade. Amém.

* * *

Homem, espelha-te em São José. Busca imitar sua fé, esperança e caridade, sua prudência, sua justiça, seu silêncio, sua fortaleza e temperança, sua virilidade. Nessa época perturbadora, não se esqueça do Santo Patriarca. Que aquele que guardou a Sagrada Família de Nazaré e que agora guarda a Igreja de Cristo, nos ajude a guardarmos as nossas próprias famílias e a nós mesmos das investidas do maligno.

São José, rogai por nós!

Bravus, pela hombridade

Referências

  • Pinio Maria Solimeo. “Ide a José!”: Vida, privilégios e virtudes de São José segundo os Evangelhos, a tradição e outros documentos. Artpress. 2007.
  • Cardeal, Lépicier, O.S.M. São José: Esposo da Santíssima Virgem Maria. Ecclesiae. 2014.

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1 Resultado

  1. 30 de março de 2017

    […] Também na arte e nas representações plásticas se produziu certa evolução da figura josefina. Durante os primeiros séculos, a arte sempre o representou em sarcófagos e ícones como parte de um conjunto, seja no conjunto da Sagrada Família, seja segurando o Menino Jesus. Somente após o século XVII que será representado de maneira individual, exaltando mais propriamente sua figura mística. À medida que sua pessoa foi tomando protagonismo na Igreja, sua imagem foi rejuvenescendo, passando de ser representado como um débil ancião na gruta de Belém, ao homem jovem e forte, com aproximadamente 40 anos, representado por El Greco no final do séc. XVI. Foi como uma metamorfose, desde a débil figura dos inícios ao forte e vigoroso “Custódio do Redentor” que a Igreja necessitou durante tantos séculos. […]

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