A pureza viriliza o caráter – Parte II: Viver a pureza

beijo testa viver a pureza

“É necessária uma cruzada de virilidade e de pureza que enfrente e anule o trabalho selvagem daqueles que pensam que o homem é uma besta. — E essa cruzada é obra vossa.”1

Na primeira parte deste artigo vivemos a pureza nos planos natural e sobrenatural. Nesta parte final veremos como viver a pureza de um modo viril.

A vivência viril da pureza

Ao longo dos últimos 50 anos, as relações entre pureza do homem e virilidade nunca estiveram bem equilibradas. Passamos do “viril” impuro ao “puro” nada viril. De modo que, à primeira vista, parece contraditório que um homem puro seja mais viril do que um homem impuro e que a pureza exija virilidade.

Há até poucas décadas, tinha-se por viril o homem que era o “machão”, grosso nos modos, beirando a estupidez, que não respeitava a fidelidade matrimonial. No trato com o cônjuge, até mesmo o conceito cristão de submissão da esposa ao marido acabava vilipendiado. Havia uma incompreensão do conceito de virilidade.

De forma geral, isso mudou. Entretanto, de um extremo, caímos em outro. Na luta da sociedade pela igualdade entre homem e mulher, o homem acabou perdendo sua própria identidade e, junto com ela, sua virilidade (a mulher também, mas isso não vem ao caso agora). De modo que a confusão hoje é outra.

A incompreensão acerca da virilidade continua. Mas agora, por uma espécie de pressão social do politicamente correto, é feio ser viril, como é feio ser machista. Para acabar com essa falsa virilidade, acabou-se com a verdadeira. “Jogou-se fora a água do banho com o bebê junto”.

O homem de hoje deve ser “puro”. Trata-se de outra incompreensão. Esta falsa pureza demanda nivelar o homem por baixo, torná-lo adocicado, subserviente, emasculado, nada viril e facilmente controlável.

Contra estes dois extremos precisamos lutar com todas as forças. Virtus in medium. Lutemos pela redescoberta de nossa própria hombridade e exerçamos a verdadeira pureza que Deus pede do homem, aquela viril pureza, exterior e interior. No exterior, vivendo o cavalheirismo com as damas, sendo agradáveis com todos, os bons e maus, os que nos odeiam e amam. No interior, reconhecendo a sacralidade da mulher, cujo ventre materno o próprio Deus veio a habitar, e tratando a todos, mulheres e homens, como almas desejadas por Deus desde toda a eternidade. Tenhamos sempre em mente que com nossas ações podemos levá-los para mais perto do céu ou do inferno. Reconheçamos também a sacralidade de nosso próprio corpo, criado por Deus, e ordenemos os prazeres sensitivos, que Ele também criou — dentre eles, incluso o sexual —, para Sua glória.

“Escreveste-me, médico apóstolo: ‘Todos sabemos por experiência que podemos ser castos, vivendo vigilantes, freqüentando os Sacramentos e apagando as primeiras chispas da paixão, sem deixar que ganhe corpo a fogueira. É precisamente entre os castos que se contam os homens mais íntegros, sob todos os aspectos. E entre os luxuriosos predominam os tímidos, os egoístas, os falsos e os cruéis, que são tipos de pouca virilidade’.”2

Conclusão

Sei que isso parece difícil. E é por isso que a pureza vivida pelo homem o torna viril. Custa, exige sacrifício, requer constante vigília. Pois a pureza, como dissemos anteriormente, é uma afirmação do Amor. E o Amor pensou o homem com a nota da virilidade.

Para animá-lo, bravo leitor, termino com estas palavras muito acertadas, novamente de C. S. Lewis:

“Em segundo lugar, muitas pessoas se sentem desencorajadas de tentar seriamente seguir a castidade cristã porque a consideram impossível (mesmo antes de tentar). Porém, quando uma coisa precisa ser tentada, não se deve pensar se ela é possível ou impossível. Em face de uma pergunta optativa numa prova, a pessoa deve pensar se é capaz de respondê-la ou não; em face de uma pergunta obrigatória, a pessoa deve fazer o melhor que puder. Você poderá somar alguns pontos mesmo com uma resposta imperfeita, mas não somará ponto caso se abstenha de responder. Isso não vale apenas para uma prova, mas também para a guerra, para o alpinismo, para aprender a patinar, a nadar e a andar de bicicleta. Até para abotoar um colarinho duro com os dedos enregelados, as pessoas conseguem fazer o que antes parecia impossível. O homem é capaz de prodígios quando se vê obrigado a fazê-los.

“Podemos ter certeza de que a castidade perfeita — como a caridade perfeita — não será alcançada pelo mero esforço humano. Você tem de pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo. Por mais importante que seja a castidade (ou a coragem, a veracidade ou qualquer outra virtude), esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos, por um lado, que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos; e, por outro, que não devemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição.”3

Bravus, pela hombridade

Outras Referências

Papa S. João Paulo II. Audiência geral de 10 de dezembro de 1980: Tradição vétero-testamentária e novo significado de “pureza”. Disponível aqui.

Papa S. João Paulo II. Audiência geral de 28 de janeiro de 1981: Santidade e respeito do corpo na doutrina de São Paulo. Disponível aqui.

Notas

  1. S. Josemaria Escrivá, Caminho, n .121
  2. S. Josemaria Escrivá, Caminho, n .124
  3. C. S. Lewis. Cristianismo Puro e Simples, Livro III, Cap. 5

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