Qual é o preço da liberdade?

O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Isso é verdade, sobretudo, em relação às boas coisas que nos chegam como bens coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade e da vida familiar, tudo o que depende da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente. Em relação a tais coisas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é lento, árduo e maçante. Esta é uma das lições do século XX. Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa” (Roger Scruton).

A liberdade é uma daquelas coisas de que mal damos conta que possuímos. Valorizamos pouco o fato de podermos ter nossa família, podermos ter e manifestar uma fé, sermos, mesmo que em sentido restrito, senhores de nós mesmos. Nos assombra a mente a possibilidade de, por decisão (ou imposição de outrem), nos tornarmos impotentes, subjugados. Preferimos relegar isso à ficção ou a fatos passados da história, num período pré-civilizacional. Nos escondemos sob uma frágil ideia de segurança.
O filme Holodomor: Bittere Ernte (2017)[1] (em português, Holodomor: colheita amarga), de George Mendeluk, nos faz mergulhar no terror da impotência diante da barbárie e das atrocidades cometidas pelo Comunismo. Ele retrata o genocídio imposto aos ucranianos, que matou de fome cerca de 10 milhões de pessoas; eram camponeses que tinham toda sua produção roubada para alimentar a ilusão comunista, que se construía à base de sangue e de valas cheias de corpos.

Enquanto os dirigentes do Partido Comunista gozavam de boa vida, os ucranianos morriam de fome. Há relatos até mesmo de canibalismo, tal a gravidade do horror provocado àquele povo.
O filme de George Mendeluk não se prende tanto à exposição cruenta daquela realidade. A história é contada sob a perspectiva de um jovem artista, Yuri Kachaniuk, que teve de se deparar com o terror e, de sua alma sensível demais, fazer nascer um homem, que se viu diante do imperativo de lutar por sua própria liberdade e a de seu povo. Mesmo tentando descrever os fatos históricos, pelos registros fotográficos disponíveis em documentos na internet, percebemos que a obra não se preocupa tanto em nos chocar com imagens mais fortes, como as que encontramos nos materiais trazidos a público somente após o fim do Regime Comunista na União Soviética. Não há como, em plena consciência, defender algo desse tipo ou minimizar suas consequências. Uma atitude assim é cretina e digna de repúdio.

O filme é desenhado de modo que podemos observar bem o contraste entre os valores da civilização (como o respeito, a religiosidade, a família, a propriedade, o amor e a liberdade) e sua ausência., pois são aos poucos arrancados, num modus operandi cruel e sádico.

Antes de eu crescer e aprender que os dragões eram reais e que o mal vagava pelo mundo, eu me apaixonei” (Fala do personagem Yuri, de Holodomor).

Na obra é possível perceber, aos poucos, as trevas do comunismo adentrando e se espalhando… tudo se perde. As pessoas famintas claudicam, enquanto o caos é implantado em favor da expectativa de que, por um devaneio, tudo se reinicie, vencendo os erros do passado. É uma opção de destruir para se refazer, não importando qual o custo. Isso não foi diferente ao longo da história dos regimes desse tipo. Há uma estimativa de que sob o comunismo se tem um saldo de cerca de 100 milhões de vidas retiradas [2].

Tendemos a pensar que isto está bastante longe de nós. Que é algo do passado. Que se trata apenas de um caso isolado, que não corremos nenhum risco. No entanto, o inimigo avança paulatinamente, na calada da noite. Não precisamos ir tão longe: olhemos para a própria Igreja e percebamos a quantidade de sacerdotes simpáticos às ideias marxistas e como eles impregnam a mente dos fiéis com um relativismo de fé e moral. Parece que isso é pouco, mas as consequências são nefastas. Isso sem contar as escolas, as universidades e todo o resto. O cenário que se nos apresenta não é para fracos, exigirá muito de nós.

[…] qualquer cultura, por mais profundas que sejam suas raízes cristãs, não está imune à corrupção de meias verdades e ao pecado camuflado. Todavia existem muitos frutos de nossa herança cristã, mas as raízes abaixo do solo estão sob ataque. Grande parte da nossa sociedade ainda é boa, e deve ser preservada, mas seria ingênuo ignorar as tendências crescentes que ameaçam o bem que ainda há na sociedade, e que poderiam desperdiçar esse patrimônio com que somos abençoados” (Olmsted, T.)[3]

Há muitos que olham para isso tudo e pensam ser um exagero, que é um frenesi causado por uma onda conservadora; que a Igreja deve se modernizar; que estamos ultrapassados. É a escalada desse tipo de mentalidade, desse tipo de pensamento, que vai, aos poucos, minar nossos valores e resultar, não muito longe, na privação de nossa liberdade.
O que nós, homens, precisamos ponderar é o seguinte: qual é maior, o custo de manter ou de conquistar a liberdade? É necessário refletir sobre o que deixaremos como herança aos nossos filhos, que valores estamos transmitindo e o que eles levarão adiante. Se, por frouxidão espiritual e moral estamos dando brecha a essas ideias e elas estão adentrando nossos lares, nossas mentes e nos fazendo, aos poucos, reproduzir sua lógica em nossos atos.
Nunca foi tão relevante pensar acerca do papel do homem. A masculinidade, à luz de Cristo, é uma espécie de trincheira, que demarca uma fronteira que, ao ser cruzada, põe em xeque o que nos é mais caro e que foi conquistado com o sangue de muitos. Assuma o seu papel! Resista! Seja firme! Trava essa batalha que é interior e exterior.

Sob a Cruz de Cristo, seremos livres e manteremos a liberdade.

Bravus,

pela hombridade.

 

Referências:

[1] Holodomor: colheita amarga. Disponível em: <https://vimeo.com/218158313>.

[2] “Você conhece os crimes do comunismo?”. Disponível em: <https://cleofas.com.br/voce-conhece-os-crimes-do-comunismo/>.

[3] Olmsted, Thomas. Firmes na brecha: um chamado para a batalha. Disponível em: <https://edoc.site/firmes-na-brecha-portugues-pdf-free.html>.

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