A Vaidade que mata o homem

Flickr - Indmus

Basta dar uma volta em cliques aleatórios nas redes sociais para perceber como os homens velhos e jovens, mas sobretudo os últimos estão mais e mais preocupados com os seus aspectos físicos, com a sua vaidade. Faça a experiência: primeiro, para garantir, entre nas suas fotos e avalie se não é você mesmo um “poser” inveterado. E depois, veja nos seus contatos a quantidade de homens que adotam as suas contas de Instagram e Facebook como mostruários de sua vazia beleza física.

Como poderá se tornar um grande homem se, em lugar de desenvolver a sua masculinidade e santidade, dedica-se a tirar selfies sem camisa no espelho?

“Cuidado com qualquer vaidade em suas roupas, porque o Senhor permite a queda dessas almas por causa dessa vaidade.” 1

A vaidade junto com a presunção, ambição e pusilanimidade é um dos pecados que se opõem à magnanimidade, característica fundamental dos grandes homens. 2

“A fortaleza tem como traço fundamental a capacidade de enfrentar, empreender, assumir ideais, tarefas ou deveres elevados. Este traço básico da fortaleza manifesta-se na coragem e, mais especificamente, na magnanimidade, que literalmente quer dizer ‘alma grande’, ‘grandeza de alma'”.  3

O homem pode ser reconhecido por suas glórias advindas da magnanimidade. É até justo, conforme Santo Tomás de Aquino, que assim seja. Mas o Doutor Angélico também nos diz que o homem magnânimo não tem estima por coisas exteriores: a glória por elas são “glórias vãs”, vanglórias, vaidade. Elas costumam não ter como finalidade a “honra a Deus e a salvação do próximo” (ad honorem Dei vel proximi salutem), e apenas esse fim é justo de reconhecimento. 4

Qual é o fim daquele que compartilha em suas redes sociais sequências intermináveis de selfies em que anseia mostrar o seu rosto, o seu corpo e as suas roupas? Para quem este homem quer se mostrar? Acaso Deus quer ver a sua criatura por esses modos? Acaso estará colaborando para a salvação dos seus irmãos?

A vaidade pelas coisas do corpo, pelo visual elaborado, afasta cada vez mais o homem de hoje da masculinidade idealizada por Deus na criação. Tais atitudes têm conduzido-os a situações de insegurança emocional, comportamentos até então muito mais comuns em moças: colocam-se como que em uma vitrine, a espera de que uma donzela venha procurá-lo. O homem não é mais galante, não é mais corajoso, não é mais forte. É um bibelô numa redoma de vidro chamada Internet.

Não é necessário ser um brucutu relaxado e mal-vestido. Isso já seria pusilanimidade. É preciso apenas ser… homem! E como tal, portar-se como homem, vivendo a grandeza aquela Magnanimidade que te fará honrar propriamente a Deus e aproximar os outros da salvação.

“Não queiras ser como aquele catavento dourado do grande edifício; por muito que brilhe e por mais alto que esteja, não conta para a solidez da obra. Oxalá sejas como um velho silhar oculto nos alicerces, debaixo da terra, onde ninguém te veja; por ti não desabará a casa.”  5

O que quer ser, leitor? O catavento ou o silhar? Comente conosco o que tem feito para ser um homem magnânimo e o que fará para manter-se longe das glórias vãs.

Bravus, pela hombridade.

  1. São Pio de Pietrelcina
  2. Suma Teológica. Secunda Secundae. Q. 130
  3. Pe. Francisco Faus em http://www.padrefaus.org/archives/1614
  4. Suma Teológica. Secunda Secundae. Q. 132. A. 1
  5. São Josemaria Escrivá em Caminho. Ponto 590

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