O que é conservadorismo?

O que tenho notado é que algumas pessoas têm certa dificuldade em entender o que, de fato, é ser um conservador. Todas as vezes que sou instado a dizer que sou conservador, sou visto como reacionário pelo progressista ou como progressista pelo reacionário. Nunca falha .

Por conta do que descrevi acima resolvi escrever um texto curtinho no melhor estilo “para leigos”, explicando o que é o conservadorismo, essa forma de ver a vida.

Para começar, é preciso que se diga que o conservadorismo não é uma ideologia. Mesmo não querendo me estender muito nesse debate, que não é o objetivo deste texto, devo dizer que existem muitas definições para ideologia e não conseguimos encaixar bem o conservadorismo em nenhuma delas. Gosto muito da definição do Russel Kirk, que diz:. [Ideologia é] “a crença de que este mundo pode ser convertido num paraíso terrestre pela ação da lei positiva e do planejamento seguro”. Ora, se há algo em que o conservador não acredita é que teremos um paraíso ou algo remotamente próximo disso na Terra. Podemos dizer que o conservadorismo é uma forma de ver o mundo sem se deixar levar por narrativas, com os pés plantados na realidade objetiva.

Mas prometi um texto para leigos e não quero ceder à tentação de entrar no campo da filosofia propriamente dita. Então, optei por usar um exemplo no qual todos possam se identificar com a experiência. Vamos lá?

Pensemos em uma casa. Uma casa grande com muitos cômodos e bem antiga. Um conservador é contratado para dar um parecer sobre o imóvel, decidir se há necessidade de reformas e, se sim, como fazê-la.

Tendo analisado longamente toda a casa sob todos os ângulos, sob vários tipos diferentes de iluminação e durante diferentes horas do dia, esse conservador chega à conclusão de que existem muitas coisas nese imóvel que são boas e devem ser preservadas. Os quartos são amplos, o pé direito é ótimo, aproveita bem a iluminação natural e a fachada é clássica e belíssima. Ele percebeu na casa o cuidado do arquiteto que a projetou. Notou que ele usou tudo o que havia de melhor no seu tempo, pois havia combinado técnicas consagradas de seu tempo e de períodos anteriores. Notou também a arte na fachada e em como esta arte determinava o caráter de toda a casa.

No entanto, o conservador notou que toda a casa precisava ser repintada e que algumas das cores originais já não faziam mais sentido estaticamente e nem na parte prática, pois com iluminação moderna outras cores refletiriam melhor a luz. Notou, também, que a fachada precisava ser restaurada e que parte da fundação precisava ser reforçada.

Ao escolher o material que faria parte da reforma, o nosso conservador pesquisa quais são os melhores materiais disponíveis e investiga quais se adaptarão melhor ao clima da região e à arquitetura da casa. Chama um grande especialista em arte da época da construção para comandar a restauração da fachada e, por fim, define qual o melhor método de reforçar a fundação para aquele tipo de casa e solo. Sem contar que cada profissional que trabalharia na reforma seria um especialista na tarefa que executaria.

Após um período mais ou menos longo de testes o conservador diria se a reforma foi boa ou se algo não estava a contento e precisaria ser refeito.

Se um reacionário visse a mesma casa diria que ela estava ótima e que qualquer mudança era um risco grande e desnecessário. Se a casa está de pé ela serve.

Se um progressista fosse o contratado, ele colocaria a casa abaixo sem maiores análises e construiria uma casa nova em padrões arquitetônicos modernos e com materiais novos e não testados.

Por que eu escolhi ser conservador? Porque vi no conservadorismo uma adesão maior aos papéis que, como homem, desempenho na vida. Também vi no conservadorismo algo muito próprio do cristão, sobretudo do católico, que é a conservação de valores e tradições sem fechar os olhos para as coisas boas que a modernidade traz e sem perder uma saudável desconfiança que gera investigação e reflexão.

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